"Dry matter production and nutrient uptake by cover crops in Brazilian agriculture"
Este estudo publicado na revista científica Nutrient Cycling in Agroecosystems destaca o papel estratégico das plantas de cobertura na agricultura brasileira, trazendo novas evidências sobre sua capacidade de melhorar a saúde do solo e contribuir para sistemas produtivos mais sustentáveis. A pesquisa foi conduzida por cientistas da "Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz" (ESALQ/USP) e membros do SOHMA, incluindo Martha Lustosa Carvalho, Leonardo de Aro Galera, Raissa Siepman Scholten, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin, e reúne dados de diferentes regiões do país para oferecer uma visão ampla sobre o desempenho dessas plantas em condições tropicais e subtropicais.
As plantas de cobertura, também conhecidas como adubos verdes, são utilizadas entre safras com o objetivo de proteger o solo, aumentar a matéria orgânica e promover a ciclagem de nutrientes. Apesar de seus benefícios já reconhecidos, sua adoção no Brasil ainda é limitada, principalmente devido à falta de informações organizadas e acessíveis sobre seu desempenho em diferentes condições. Com isso em mente, o objetivo do estudo foi compilar e analisar dados sobre a produção de matéria seca e a absorção de nutrientes por diferentes espécies e combinações de plantas de cobertura.
Para isso, os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática da literatura científica, selecionando 126 estudos conduzidos em campo no Brasil, o que resultou em mais de 1.100 observações analisadas. Com isso, o artigo mostra que diferentes grupos de plantas de cobertura desempenham funções complementares nos sistemas agrícolas, com gramíneas se destacando na produção de biomassa e proteção do solo, leguminosas na fixação de nitrogênio e outras famílias contribuindo para a melhoria da estrutura do solo. Também evidencia que a capacidade de absorção de nutrientes varia entre as espécies, reforçando a importância do uso de consórcios. Além disso, destaca que fatores climáticos influenciam mais os resultados do que as características do solo, ao mesmo tempo em que aponta desafios de manejo e lacunas no conhecimento, especialmente sobre raízes e decomposição.
De forma geral, o estudo indica que a diversificação de espécies é uma estratégia fundamental para promover a saúde do solo, aumentar a sustentabilidade agrícola e reduzir a dependência de insumos químicos.


Figura 1. Valores médios e número de observações para a matéria seca e a absorção de nutrientes (nitrogênio-N, fósforo-P e potássio-K) de plantas de cobertura das quatro principais famílias botânicas e dos principais gêneros em estudos selecionados. Os valores fora dos círculos indicam a produção média de matéria seca (kg ha⁻¹), enquanto os valores dentro dos quartos de círculo correspondem à absorção média de nutrientes (kg ha⁻¹). Os diagramas centrais indicam os valores das duas misturas mais estudadas.


